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Cedo demais

12 Nov

da minha autoria

 

Tentaram dizer-me o quão velha estava!

Nos meus trapos ainda estavam aquelas vivas cores

De um dia radiante e florido de quem voa num céu imenso,

De quem brilha de alegria numa escura noite de Inverno.

Tentaram-me matar, a lama, dizendo o que sentia!

Esqueceram-se que ainda vejo o raiar do sol

A cada manhã que passa por entre as cortinas, brancas,

Deste meu mundo onde me fecho sem razão.

Tentaram-me fazer ver o quanto ainda tinha para andar!

Não se lembraram que meus pés já haviam corrido

Todas as montanhas que lhes perseguiam a cada dia;

Que minhas pisadas tinham sido seguidas pelo vento e pela chuva,

E ainda resistia sem ter uma dor neste meu coração,

Cansado de ver tantos dias sem sol,

Tantas manhãs sem sentir teu perfume no meu corpo.

Esqueceram-se de me perguntar o sentido do meu rasgado sorriso,

A razão de querer ver um outro dia a florir

Por dentro e por fora deste outonal coração.

Tentaram-me enviar num caminho onde ainda não pertenço!

É uma escolha que tenho de ter: qual o caminho melhor para

Lá chegar em paz comigo, e

Em conflito com o mundo que me tenta esquecer.

Qual o que devo fazer?

Como devo deixar-me matar por estes que ainda ontem me

Abraçaram e me beijaram, tão alegremente.

Tento saber, enfim, quando, tudo, já não é cedo demais,

Para um coração apaixonado!

(01/01/11)

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Posted by on November 12, 2012 in Perdidos

 

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