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Que se acabe

31 Dec

Que se acabe com os dias

do correr sem meta.

Quero ver as cortinas fechadas,

quebradas de raíz.

Quero sentir o negro da pouca luz

quero-te a ti, marcado na sombra do nada.

 

Que se acabe com as horas ditas

das tristes lembranças,

que escorrendo pelos dedos

finos fios das palavras agrestes,

proferidas, expelidas do teu ventre,

pai incrédulo de boas vontades,

semeando na cadência do tempo,

do relógio mal parado,

que mal anda, devagar andam.

 

Que se acabe com os momentos inuteis

do pensar no ponto interno que nem meu é,

emprestado pelo tempo,

no tempo que me ofereceram,

no tempo em que pus o meu tempo a andar.

 

Que se acabe por dizer o que não se sabe dizer

calados, escondidos nas verdades mentirosas dos rostos

dos que a mim olham sem me verem.

 

Que se acabe por ver a razão, dentro das razões

do sentir, do desejo de ser, do ansejo de melhor se tornar

pelas cadeias das vida ou pelas liberdades mal paridas.

 

Que se acabe de fingir a vida, sem a vida sentir.

Que se acabe de fingir o calor, sem saber que calor é.

Que se acabe de fingir querer, sem ter a certeza do que se é.

 

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Posted by on December 31, 2012 in Em cima da Hora

 

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