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Espelhos

30 Jan

Vejo-me num e depois noutro

e em nehum deles sou eu

a imagem que aparece.

Mais um, e depois outro e

tantos outros com quem me

confronto e nunca me vejo,

nunca é eu, este eu só meu.

Vejo um pedaço de meu,

um reflexo do que serei,

breve imagem do que gostaria

de ser, neste eu, que vem

mostrar-se quando deixo,

num que encontro, sem o ter

procurado; mas, também, não

é este eu que eu sou.

Serei um pedaço de cada um.

Um todo à mistura,

apenas um traço aqui ou

outro, apenas ali, quem sabe.

Não sou nehum dos eu

que vejo e por quem velo,

neste teritório selvagem

a onde me encostei.

Sou um eu que se faz com

todos e com pedaços de tudos

que encontro deixados ao relento,

um eu que já não tem forma

ou que, tão simplesmente,

não vê o seu eu num síto

onde todos os outros se vêem.

Por onde pára o meu espaço,

a minha hora de ver e saber

quem sou e como sou vista?

Por onde deixou ele, homem

desprovido de alma com compaixão

e de corpo ferido, martirizado até à morte,

o eu que eu não sei encontrar?

Num espaço que corre sob a ponte,

num desviar de sentidos para o infinito,

ou num beco conhecido, atrás de meu

mundo, encantado por eu querer?

Encontre parcelas do eu, repartidas

em lugares que não conheço,

e cada um, todos, é o eu que

eu, aqui, não sou.

Por que há vezes que, realmente, não sei quem sou. Quem vós sóis.

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Posted by on January 30, 2013 in Metade de Mim

 

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