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Um canto

08 Feb

 

 

Quando ouvi naquela doce e singela boca

Saírem tão amáveis gestos de ternura,

Meu pulsar correu mais forte,

Meu ser tornou-se mais intenso.

Naquele triste canto onde a solidão não se encontra,

Achei este lindo livro de retratos de mim:

Uma flor colocada no lugar do coração,

Um espinho entranhado no sentir,

Um caule ao meio quebrado pela força dos ventos,

Uma pétala a cair dos imensos fios:

Que me seguram à realidade,

Que me acorrentam ao livro das fantasias.

Céus imensos e rubros cobrem meu passado.

Nuvens em branco e em azul, conduzem meus sonhos.

Seres com asas ajudam-me na dor de cada passo,

Neste caminho pela esverdeada colina, acima,

Em direcção ao radiante sol que sonhei tocar.

Pequenas gotas de água escorrem pelas límpidas janelas

(desta pequena alma em conflito)

Derretendo este mar imenso de sentimentos

Sem perceber o porquê dos raios cintilantes que me pertencem,

Sem querer ouvir os trovões desta alegre alma,

Sem compreender a tristeza que me assola a cada dia

Sem saber receber cada pétala das palavras

Que me dirigem, me pertencem, que o mundo diz!

Escadarias de volições que me ensombram,

(onde me perco sem vontade de regressar).

Este terrível tormento de não ser quem:

Poderia ser, um dia, diferente do de hoje;

Gostaria de ser amada e odiada por tantos.

São escadas correntes, revestidas de um vermelho tapete

Que de sangue e de pequenas pétalas rosais foi criado.

São tormentos, são verdades e são mentiras.

Lembro-me deste álbum, que um dia fui.

Fechei-me no livro destas fotografias

Que hoje me fazem andar como nunca andei.

Sou quem sou, uma figurante de um livro de

Grandes recortes, encontrado num canto.

(00/12/18)

De um fechado portal, por uma aberta janela, sairá sempre o cansado cansaço da voz. É pelo cansaço de sentir o que o meu coração me faz sentir, que me perco nas verdes palavras da minha língua, gritando ao pobre e ao rico, seja a quem ouvidos do coração saber ter, contando os meandrso do que hoje toco, de dentro de mim, para teus ouvidos ouvirem.

Relendo as minhas palavras, ouvindo a Dulce Pontes… palavras brotam.

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Posted by on February 8, 2013 in Perdidos

 

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