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Mas sabendo-se assim

17 Jul

Porque me deito no cansaço

desesperado, girando, surdemente,

apaixonado pelo terror de não te ter aqui.

Não é amor. É temor.

Não saber quem se é por não te ter.

Na consciência insana dos dias constantes,

eras a calma dos meus arrebatos:

chorosos, caprichosos, amigos e sonolentos.

Existias. Sabia de onde vinhas –

de parte alguma,

de mim saído.

Percorrendo as lisuras horas

feito doida em carne viva,

desgrenhando as vontades dos mais simples

sons ditos no mais puro das vontades:

gritar para não ser ouvida,

chorar para não ser vista,

cantar para não ser sentida.

Tudo arredado do simples timbre das vozes

imaculadas, da certeza, do certo, do perfeito

não vivido.

Saber-se que não se é o que se é

querendo arrancar-se de si mesmo

perdendo-se no olhar de pena

escondido pelos gestos tortos de afeto.

Saber-se que não se é o que se sabe não se querer ser.

Saber-se perdidamente encontrado

nos meandos das dores

minhas e dos outros,

dos outros e dos meus.

Saber-se, assim, sem se saber o que se sabe

mas sabendo que assim não se é.

Por ter sido hoje o dia que foi…

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