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Amores

20 Aug

Não fora tamanha beleza vista

até à noite, esta noite, vista de longe

nunca teria eu, tu, meu bater,

sentido a melancolia de saber-se

de longe, ao longe, pelo longe do tempo

amado, caiado coração de flores sem tons

numa escala sem timbres próprios

de cujos tenros beijos vejo a água a separar;

feito peregrino do correr atrás do aroma

dos lábios rosados cuja música planta e semeia

a lança que descança em meu peito

bravo pela distância querer correr,

percorrer pelo nome que a mim me foi dado

de pronto retirado, amor, por lonjura de sentir

perto me vejo regalar ao todo

tudo o que o meu ver não queria,

sabia não poder existir e deveria ter sabido

de seu peito inocente de sentimento de grandeza pura nascido

cobrar ao destino tamanha fraca fortaleza ter construído:

amor para amor nunca ser amado;

amor cujo amor sempre foi amado;

amor que para nunca amar foi feito.

 

 

 

É sempre, constantemente, uma inspiração.

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Posted by on August 20, 2013 in Em cima da Hora

 

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