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Incerteza

05 Sep

Se calasse, cantavas tu?
Ao falar de mim, escutarias?
De qual ponte farias a jornada?
Com quantas vozes te corresponderias?
Se fosses a voz do que escuto,
daquilo que calo e consinto
saberias o que me dizer
quanto te digo e não me ouves,
não me vês, não me sentes?
Se eu fosse a tua razão,
qual de nós teria o nobre gesto
se às nossas mentes trocadas fossem
os nossos sentidos?
Se tu e eu fôssemos um só,
seríamos quem, de qual dos dois.
Saberíamos saber existir a certeza da diferença?
Se eu e tu chegássemos a um ponto alto
de tanta semelhança parir
com tanto semblante idêntico ver,
quem seríamos nós, dentro do tu e do eu
se nem o eu ou o tu existem fora;
fora da porta de cada coração nosso;
nem tão pouco fora da sombra que tu me fazes
do escuro semblante teu que eu persigo.
Quem seríamos nós
se o nós fosse só um?
Quem seria esse um
se sem o outro, qualquer outro do eu,
não existiria?
Mente.
Sossego.
Paz.
Calma.
Coração.
Movimento.
Turbilhão.
Seríamos o mesmo que nada e que tudo.
Continuaríamos o todo na incerteza?

 

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Posted by on September 5, 2013 in Uncategorized

 

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