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Vozes

13 Sep

Não são as vozes do trabalho.

As do descanso labutam incessantemente.

Mas são as tuas que já não oiço.

Aquelas que já não existem sons para reconhecer

nem tempo para as digerir.

Não são as vozes dos outros

nem as minhas, que brigam sem cessar.

São as vozes tuas, aquelas que me encerram

frígida nos meus pensamentos do sonho.

Não são as vozes de mim, as de quem eu fujo

tão pouco as do que a mim me fazem sentir.

São as vozes do que espero, minuciosamente,

olhando para o vazio do peito falante.

São as vozes que oiço, tilintar,

feito pratos lavados à pressa,

em jeito de arrumar todo som debaixo do tapete,

como espamos dos dedos que calam a boca.

São as vozes do tempo visto, tempo vivido

que perseguem os tempos de hoje, as vozes:

tuas e minhas e de todos os que a ti e a mim amam.

São as vozes da certeza de se saber enganado

quer no tempo, quer no espaço…

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Posted by on September 13, 2013 in Os d'aqueles

 

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