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No chão

30 Nov

No chão marca-se o tempo

de um agora e de um longínquo

destino passado por estar passado.

Tudo se marca no estado que vejo

revejo nos dias que por ti passo,

jardim perdido na ganância dos outros.

Naquele chão,

quebrei as regras do ensinamento

vivendo as alegrias das horas da idade

em todos os instantes do meu pesado passado.

Por todo o correr do meu passar

em todos os correres do meu agora viver

sinto a desvontade de voltar aqui

a não necessidade por te ver assim

espelho meu do que a mim me cabe.

Neste chão nosso, meu de todos os dias ímpares

vivo o recordar como se me tivesse esquecido

como se um dia me fosse lembrar de tudo

se tudo é marca do esquecer das horas, pela idade.

Neste chão, tudo é nosso.

Tudo é meu e tudo é tudo menos meu.

De tudo é feito o meu olhar

quando por teu riacho percorro minha vista

avistando o que um dia só meu foi,

no meu instante de perdição

na recusa de voar para outras alturas.

De tudo eu faço um gesto para a ti chegar

como se de nada valesse o meu toque.

De nada vale o meu toque

quanto a ti não chega nem sequer a sombra.

Para trás fica o que os outros também deixaram

o que o tempo relegou para outrém

a importância sua, dada, oferecida.

Para trás ficou o que hoje eu sou

enraizada em cada folha que vejo caída

caiada de tons que suportam meus gostos,

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Posted by on November 30, 2013 in Em cima da Hora

 

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