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Não sou mais

30 Jan

 

Não sou mais do que aquilo que escolhi.

Verdades que me saltam à vista,

Mentiras que desembrulho no limiar do corpo.

 

Sou aquilo de que a decisão de um não e de um sim

a mim, me deu à vista, a noção de um nim.

 

Não sou nada para além do que os outros me fazem crer

se a mim nada mais me interessar do que as palavras, das vozes, de outrém.

 

Não sou mais nada que não a soma do que vivo

ilusionando-me de um pretexto para viver mais do que sei.

 

Não sou nada para além do mar que me cobre a nascença,

água que me rejeita, mesmo nos pensamentos cândidos de a ver.

 

Não sou eu a que aqui te fala.

 

Sou uma das vozes que de além se fez nascer

naquela sombra que da realidade faz crescer um cento

numa hera que trepa a origem do chão e se agarra

gavinhosa aos ferros e aos metais e às madeiras

e a todos os cheiros que me invadem o cérebro.

Até nas palavras, nos sons, nas imagens

eles me invadem.

 

Não sou mais do que a pressa de ser alguém

na esperança de conseguir, adiante,

rever o alguém que tentou mais do mais,

nada mais do que nada não ser.

 

 

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1 Comment

Posted by on January 30, 2014 in Em cima da Hora

 

Tags: , , ,

One response to “Não sou mais

  1. safelake

    March 28, 2014 at 5:00 pm

    Reblogged this on Lavender Turquois.

     

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