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Dói-me

23 Mar

 

 

dói-me o coração

não de dor nem de temor.

dói-me o coração

por falta ou excesso, também não.

dó-me o coração

nem de pouco ou nada sentir.

dói-me o coração

pelo bater que me afoga o peito

o correr navega dolorosamente

no nascer até morrer, das horas.

dó-me o coração

pelo senti-me a arrebentar em cada fôlego

a acrescentar-me nos dias, a mancha,

um inchaço escondido no peito feminino.

dó-me o coração pelo coração

massacrado pelo desconjurado instante

tropeção de vida normal

sensação de algo mais, sempre mais,

a doer.

dói-me o coração no coração a bater

no de mais nada ser que o bater

em espaços limitados na hora do primeiro grito

esperançoso como o ar dos dias seguintes

anos contornados, virados em décadas

sem noção delas serem o mesmo que elas são.

dói-me o coração por dele me saber

escrava, dona e nada mais.

dói-me ele, por cada vez,

desta vez, agora,

bater menos na força do mínimo acontecer.

 

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