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não morte

31 Aug

Ninguém morre.
Se a pessoa viveu num todo, jamais morrerá.
Se a pessoa deixou linhagem, jamais morrerá.
Morre sim a aldeia que a protegeu e as casas por onde passou pois deixarão de ser tão ricas.
Ninguém morre.
A pessoa nunca morre.
Morre sim a casa onde viveu e onde o brilho do sol não entrará.
Desvanecem-se daquelas paredes os cheiros da cozinha, a água a cair na terra batida, o cortinado por sacudir, a cama por fazer. Morre tudo à volta mas a pessoa não morre.
A pessoa não morre.
Morre tudo à volta, menos a pessoa.
Morrem todos os vivos por não mais verem o brilho da alma ida.

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Posted by on August 31, 2016 in Os d'aqueles

 

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